“Não há nada pior que um ajuntamento espontâneo de populares. Juntam-se
muito neste país. É para ver quem morreu ou para espancar um desgraçado
que matou os filhos e as galinhas. É para jogar à vermelhinha ou para
comprar Lacostes da treta que, em vez de um crocodilo, têm um sardão das
Berlengas. À mínima desculpa, os populares, que estão maçados e anseiam
distracção, juntam-se. Deveria ser proibido, fora de feiras e romarias.
Bem vistas as coisas, também deveriam ser proibidas as feiras e as
romarias, porque já está demonstrado que encorajam o contacto entre as
pessoas. (...)
Mas não divaguemos porque há muito para desbastar. Por exemplo, aqueles
pedintes que, em vez de apresentar oralmente o seu apelo, produzem um
extenso texto miserabilista, escrito em português ilegível, a dizer que
já estiveram melhor e que praticamente estão como hão-de ir. Aquelas
senhoras que sabem os nomes de todos os bolos e fazem gala disso. Em vez
de apontar com o dedo, para a montra, como os mortais comuns que têm
mais que fazer, começam a recitar as suas cabalas maçónicas: ‘Um
jesuíta, uma margarida, um charleston, um torno-mecânico-de-seis-bicos,
um berimbau, um gonzaguinha e dois pastéis de nata’.”
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“Não há nada pior que um ajuntamento espontâneo de populares. Juntam-se muito neste país. É para ver quem morreu ou para espancar um desgraçado que matou os filhos e as galinhas. É para jogar à vermelhinha ou para comprar Lacostes da treta que, em vez de um crocodilo, têm um sardão das Berlengas. À mínima desculpa, os populares, que estão maçados e anseiam distracção, juntam-se. Deveria ser proibido, fora de feiras e romarias. Bem vistas as coisas, também deveriam ser proibidas as feiras e as romarias, porque já está demonstrado que encorajam o contacto entre as pessoas. (...) Mas não divaguemos porque há muito para desbastar. Por exemplo, aqueles pedintes que, em vez de apresentar oralmente o seu apelo, produzem um extenso texto miserabilista, escrito em português ilegível, a dizer que já estiveram melhor e que praticamente estão como hão-de ir. Aquelas senhoras que sabem os nomes de todos os bolos e fazem gala disso. Em vez de apontar com o dedo, para a montra, como os mortais comuns que têm mais que fazer, começam a recitar as suas cabalas maçónicas: ‘Um jesuíta, uma margarida, um charleston, um torno-mecânico-de-seis-bicos, um berimbau, um gonzaguinha e dois pastéis de nata’.”