Músicas, lugares e cheiros estimulam as lembranças do escritor angolano
Ondjaki, no livro Os da minha rua, publicado pela editora Língua Geral.
Neste livro Ondjaki passeia pela infância, vivida em Luanda nas décadas
de 1980 e 1990. Os limites entre biografia e ficção são continuamente
desafiados: basta observar o tom intimista a mesclar-se continuamente a
uma perspectiva histórica. Dessa forma Ondjaki amplia os horizontes de
sua literatura, conduzindo os leitores a cenas de caráter intimista que
levam ao registro de uma época em Angola. Os da minha rua revela grande
mobilidade não só pelo olhar intimista que se expande ao registro
histórico: os 22 textos desta obra podem ser lidos como unidades
autônomas, que valem por si mesmas (como se fossem contos), mas também
podem ser lidos feito capítulos de um romance. Trata-se portanto de uma
obra muito flexível, de intenso hibridismo, que se vale de outro tom,
muito próximo ao da crônica. Este surge por meio do registro sobre o
cotidiano, que vem a ser uma das marcas incontestáveis desse gênero. Com
um discurso muito afeita à oralidade, o narrador lembra de amigos,
família, festas na casa dos tios, paixões, professores cubanos, a parada
de 1.º de Maio, a piscina de Coca-Cola e a novela brasileira Roque
Santeiro.
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