Cabeça de Turco

Günter Wallraff

Language: Portuguese

Publisher: Globo

Published: Jul 25, 2019

Description:

No dia 21 de outubro de 1985, o escritor e jornalista alemão Günter Wallraff lançou o livro "Cabeça de Turco", em que descreveu as dificuldades enfrentadas pela mão de obra estrangeira na Alemanha.
"Estrangeiro forte procura emprego. Pode ser trabalho pesado, sujo e mal pago." Com este anúncio, publicado em vários jornais alemães em março de 1983, ele começou uma investigação que abalaria a Alemanha. Era o início da longa reportagem publicada no livro Cabeça de Turco, em 1985. Disfarçado de turco, Wallraff sentiu na pele e denunciou de forma contundente a discriminação contra os imigrantes no cotidiano alemão.
O autor descreveu detalhadamente o que vivenciou, sob o pseudônimo Ali, em uma empresa mediadora de mão de obra, na metalúrgica Thyssen e num restaurante McDonald's. Ele desceu ao submundo da sociedade alemã para denunciar as brutais jornadas de trabalho de 16 a 24 horas por dia impostas aos estrangeiros na época, o tratamento desumano dispensado a trabalhadores braçais e pouco qualificados e a falta de segurança nos locais de trabalho, principalmente para operários turcos. Seu disfarce foi tão perfeito que Wallraff sequer foi reconhecido pela mãe. O resultado foi um "livro-bomba", que já nas seis primeiras semanas após o lançamento vendeu mais de um milhão de exemplares, e 4 milhões em poucos meses. A Promotoria Pública alemã abriu inquérito contra o grupo Thyssen, desencadeando uma avalanche de processos contra empresas que discriminavam ou maltravam imigrantes.
Na época do lançamento, Cabeça de Turco foi considerado "o melhor livro alemão do pós-guerra". Não só foi um sucesso inédito de vendas como teve consequências em vários países europeus. Por sugestão de Wallraff, jornalistas franceses escreveram obra semelhante, denunciando o racismo contra os trabalhadores árabes na França. A mesma linha investigativa norteou uma publicação sobre a situação da mão de obra estrangeira na Holanda.
Na Dinamarca, o Parlamento criou comissão para investigar a situação dos estrangeiros no país, o que provocou uma série de transformações. Era o que o autor esperava que acontecesse também na Alemanha. "Mas, aqui, as denúncias tiveram apenas efeito regional. Por empenho pessoal, o secretário de Trabalho e Assistência Social da Renânia do Norte-Vestfália, por exemplo, descobriu dezenas, centenas de casos graves de discriminação. Talvez fosse necessário publicar uma obra destas por ano", comenta o jornalista.
O método de investigação jornalística usado por Wallraff foi sido criticado desde o início. Muitos adversários ou empresas denunciadas – como Thyssen e McDonald's – o enfrentaram até por via judicial, mas o autor saiu vitorioso dos processos. Desde a publicação de Cabeça de Turco, o nome Günter Wallraff é sinônimo de jornalismo investigativo na Alemanha. (DW Brasil)